A Bíblia na minha infância - Texto de Lídia Walder

Talvez por que meu avô paterno (o materno faleceu antes do meu nascimento) tenha sido uma figura marcante na minha infância e, talvez por que a imagem que tenho dele é sempre a do Dia do Senhor – terno escuro, camisa branca, gravata, botas de meio cano, chapéu, Bíblia na mão, talvez por isso, e por admirá-lo tanto, o livro sagrado sempre teve significado especial para mim.

Aprendi a ler aos quatro anos e entre os 8 e 12, “devorei” os livros da biblioteca do Grupo Escolar Mario de Andrade. Nessa época, todos os dias, abria a Bíblia do meu pai e lia trechos do Velho Testamento. No começo, desconhecia o significado de muitas palavras, mas me lembro que entendia as narrativas. Impressionavam-me particularmente as histórias de Sansão e Dalila; a vida de José e o reencontro com os irmãos no Egito; Moisés e as pragas; e, não sei por que, talvez pela originalidade do nome, o rei Nabucodonosor.

Mas, uma história marcou-me para sempre e ainda me lembro de quando a li pela primeira vez, tinha nove anos e frequentava a catequese para a Primeira Eucaristia, na Paróquia S C de Jesus. A narrativa sobre os gêmeos Esaú e Jacó, filhos de Isaac, netos de Abraão. O primeiro era o primogênito. Foi aí que aprendi o significado da palavra. Mas, se eram gêmeos, como Esaú podia ser o primogênito? Eu não sabia como as crianças nasciam, diziam por aqui, que alguém as entregava. Assim, se eram gêmeos, deveriam ter sido entregues juntos, sendo da mesma idade.

O importante é que estava escrito na Bíblia e, portanto, era verdade: Esaú era o primogênito e trocou sua primogenitura com Jacó, por um prato de lentilhas. É por isso, pelas lentilhas que nunca esqueci esse trecho. Lentilhas são um de meus pratos favoritos e eu sou a primogênita, portanto toda vez que minha mãe fazia essa iguaria, eu brincava com minhas irmãs, propondo-lhes a troca de suas porções pela minha primogenitura, como fizeram “Esaú e Jacó”.

Porque escrevo isso?

Encerramos nesta semana o Mês da Bíblia e quis deixar registrado aqui a importância que ela teve em minha vida e como através de seu conhecimento fui me familiarizando com as coisas de Deus, muitas vezes sem entender, mas me deixando seduzir por aquilo que entendia e me apaixonando por esse Pai maravilhoso que entregou à paixão e morte Seu Filho Unigênito, para que ressuscitássemos com Ele.

Por que a Bíblia é o Testamento de Amor, a Carta de Amor que Deus Pai deixou para toda a humanidade. É nela que nós vamos encontrar os desejos e as intenções de Deus para conosco. É nela que podemos encontrar as recomendações e os tesouros que Deus tem para nos oferecer. Se nós não abrirmos e não lermos esta "Carta de Amor", não ficaremos sabendo da amizade íntima que Deus quer ter conosco "desde o nascer ao pôr-do-sol".

Lidia Walder (28/09/2009)
Equipe SCJ