Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
Meus irmãos e minhas irmãs, a Palavra de Deus deste terceiro domingo da Quaresma toca numa realidade muito humana e muito profunda: a sede. Todos nós temos sede. Não apenas sede do corpo, mas sede da alma. Sede de paz, de perdão, de verdade, de esperança, de sentido e de Deus.
Na primeira leitura, o povo está no deserto. A sede aperta, o cansaço pesa, e nasce aquela pergunta dolorosa: “O Senhor está ou não no meio de nós?” Essa pergunta continua atual. Quando a vida aperta, quando surgem conflitos, quando a fé esfria e o coração se entristece, também nós, por dentro, perguntamos: “Senhor, estás mesmo comigo?”
Mas Deus não abandona o seu povo. Mesmo diante da murmuração, faz brotar água da rocha. Onde nós vemos pedra, Deus faz nascer fonte. Onde nós vemos miséria, Deus derrama misericórdia.
No Evangelho, Jesus encontra a samaritana ao meio-dia, na hora mais quente. E quantas vezes o Senhor também nos encontra assim: cansados, confusos, feridos, carregando pesos que ninguém vê. Aquela mulher foi buscar água, mas levava dentro de si uma sede muito maior.
E Jesus entra na vida dela com delicadeza. Não começa humilhando, nem acusando. Começa com um pedido simples: “Dá-me de beber.” É como se dissesse: “Quero entrar na tua vida. Quero tocar a tua história. Quero chegar ao teu coração.”
Depois, Jesus a conduz à verdade. Mostra que ela tentou preencher o vazio da alma de muitas formas, mas nada a saciou. Também nós, muitas vezes, procuramos matar a sede interior em fontes erradas: vaidade, orgulho, mágoas guardadas, fofocas, vícios, distrações excessivas, ativismo sem oração, pecado repetido, frieza espiritual. Tudo isso distrai por um tempo, mas não sacia. Só Deus sacia.
Por isso Jesus diz: “A água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte que jorra para a vida eterna.” Nosso Senhor não oferece apenas alívio momentâneo. Ele oferece vida nova, graça, Espírito Santo e recomeço verdadeiro.
E aqui entra o passo concreto desta Quaresma. Este domingo antecede a Confissão Comunitária em nossa Paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Isso não é um aviso qualquer; é uma graça de Deus. É como se Jesus, hoje, junto ao poço, dissesse à nossa comunidade: “Vem. Abre o coração. Deixa-me curar a tua alma. Deixa-me dar-te a água viva da misericórdia.”
Por isso, ninguém deveria pensar: “Eu não preciso”, “Depois eu vejo” ou “Faz muito tempo, tenho vergonha.” Justamente quem está há muito tempo sem se confessar talvez seja quem mais necessita experimentar a alegria do perdão. A Quaresma sem uma boa confissão fica incompleta.
Então é hora de fazer um exame de consciência sincero: como está minha relação com Deus? Como está minha oração? Tenho participado da Missa com fé? Tenho guardado mágoas? Como tenho tratado minha família? Tenho usado a língua para ferir e dividir? Tenho sido honesto, puro, justo, caridoso? Tenho vivido como discípulo de Jesus ou apenas mantido uma aparência religiosa?
A samaritana deixou o cântaro. Esse detalhe é belíssimo. Ela deixou o que já não servia mais, porque encontrou algo maior. Também nós precisamos deixar o nosso “cântaro velho”: o pecado, o orgulho, a desculpa de sempre, a procrastinação espiritual. E precisamos correr ao encontro da misericórdia de Deus.
São Paulo nos consola profundamente: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.” Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. Jesus não espera que fiquemos perfeitos para nos amar; Ele nos ama para nos levantar, nos perdoar e nos transformar.
Que neste domingo a nossa paróquia escute com força esse chamado. Não faltemos à Confissão Comunitária. Preparemo-nos bem. Aproximemo-nos com confiança, porque no confessionário não nos espera um juiz impaciente, mas o Coração misericordioso de Jesus.
Peçamos nesta Santa Missa: “Senhor, dá-nos dessa água.” Purifica-nos, renova-nos e faze da nossa comunidade uma comunidade que não fuja da conversão, mas que se deixe lavar, curar e salvar pela tua graça.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!